quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

SALMO 137 – A CANÇÃO FESTIVA DO EXÍLIO

SALMO 137 – A CANÇÃO FESTIVA DO EXÍLIO


Junto aos rios da Babilônia,
Ali nos assentamos e choramos,
Quando nos lembramos de Sião.

Sobre os salgueiros que há no meio dela,
Penduramos as nossas harpas.
Pois lá aqueles que nos levaram cativos nos pediam uma canção;
E os que nos destruíram, que os alegrássemos,
Dizendo: Cantai-nos uma das canções de Sião.

Como cantaremos a canção do Senhor em terra estranha?
Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém,
Esqueça-se a minha direita da sua destreza.
Se me não lembrar de ti,
Apegue-se me a língua ao meu paladar;
Se não preferir Jerusalém à minha maior alegria.

Lembra-te, Senhor, dos filhos de Edom no dia de Jerusalém,
Que diziam: Descobri-a, descobri-a até aos seus alicerces.
Ah! Filha de babilônia, que vais ser assolada;
Feliz aquele que te retribuir o pago que tu nos pagaste a nós.
Feliz aquele que pegar em teus filhos e der com eles nas pedras.
Salmos 137:1-9



DATA E CONTEXTO HISTÓRICO.





Esse salmo traz uma reflexão sobre um momento de tristeza ao relembrar uma das épocas mais sombrias da história de Israel. Seu cativeiro na babilônia. Porém, a perspectiva é de um momento presente festivo. A ideia é que durante o cativeiro babilônico não havia alegria para cantar os lindos hinos de Jerusalém. Porém, no contexto atual do poeta, havia motivos de sobra para festejar, pois seus pés estavam pisando o solo da cidade santa. O poeta estava em Jerusalém, muito provavelmente celebrando com o povo de Deus a festa dos tabernáculos. Festa que relembrava os 40 anos de peregrinação de Israel no deserto assim que saiu do Egito, aproximadamente 1400 A.C. O salmo muito provavelmente foi escrito por volta 400 A.C. e o retorno da primeira leva de Judeus da babilônia se deu em 543 A.C. Sendo assim o regresso da babilônia estava mais fresco na mente do que a saída do Egito. Dando a festa dos tabernáculos um significado mais palpável para o povo que celebrava. Por isso a lembrança inicial do cativeiro babilônico, no inicio dessa canção, equivalia à saída do povo do Egito.



UM INSTANTE DE REFLEXÃO


Alegre o povo comemorava a festa da peregrinação ou a festa dos tabernáculos. Mas em um dado momento o povo silenciava as canções festivas. Um espirito reflexivo tomava toda a nação presente em Jerusalém e que estava diante do templo. Uma voz altiva e melancólica gritava no meio do povo:


1 SENTADOS JUNTO AOS rios de Babilônia chorávamos,
2 Lembrando de Jerusalém.
Pendurávamos os nossos instrumentos musicais,
As harpas e as liras, nos galhos dos salgueiros.


O povo volta a sua mente para um episódio que ocorreu cerca de 200 anos antes: a queda e a destruição de Jerusalém pelo exercito babilônico. Que culminou com o cativeiro da elite real, e dos técnicos artesãos e ferreiros de Jerusalém. Boa parte da nação de Israel foi levada cativa. ISSO lembrava e deixava mais vivo o sentimento de outro acontecimento histórico: a saída das doze tribos do Egito e sua peregrinação de 40 anos pelo deserto no século XV A.C. Esse era o motivo da celebração da festa dos tabernáculos. Relembrar que os pais da nação habitaram em tendas e foram peregrinos durante quarenta anos. Esse sentimento era equivalente à perda de Jerusalém na invasão babilônica.



As canções de Jerusalém eram exclusivas para a cidade. A formosa cidade de Deus era a motivação de tão grande alegria daquele povo na festa sagrada. Assim expressa o poeta:


3 E para aumentar nossa dor,
Os babilônios pediam para cantarmos as canções alegres
Que faziam parte do culto em Jerusalém.

4 Mas como!
Como cantar os hinos dedicados ao Senhor nessa terra estranha,
Onde os homens nos maltratam e castigam?



A CANÇÃO SE VOLTA PARA JERUSALÉM.


A santa cidade torna-se o centro da celebração. Os cantos de alegria retornam depois do momento de reflexão. O espirito nacionalista do povo é aguçado. Todo povo em voz uníssona declara seu amor pela morada do altíssimo, Jerusalém a cidade santa.


5 Se me esquecer de Jerusalém
Quero que minha mão direita fique seca
E incapaz de tocar a harpa.
6 Se não preferir Jerusalém a tudo que mais me alegra,
Quero que minha língua fique presa
E nunca mais eu possa cantar.




O som da harpa se mistura as vozes de júbilo. A canção torna-se em oração e o canto volta-se para o Senhor e em tom de um espirito nacionalista efervescente o povo clama:


7 Ó Senhor,
Não deixes passar sem castigo 
A maldade dos edomitas que atacaram Jerusalém
Depois que a cidade foi destruída pelos exércitos de Babilônia,
Dizendo: "Vamos arrasar tudo o que sobrou!".



O CANTO SE TORNA PROFÉTICO.


Alguém pode pensar que esse espirito bélico e de vingança era uma forma de propagar o ódio pelos outros povos não Judeu. Porém entendam que essa expressão é uma alusão as profecias de Ezequiel, conforme Ez 35. Esse profeta viveu e profetizou durante o cativeiro da babilônia. E profetizou exatamente as margens do rio Quebar, um dos rios da babilônia como citado no verso 1. Ele profetizou não só contra Edom, mas contra todas as nações da época. Sendo assim a expressão acima se refere a todas as nações da época. Por isso o poeta estende o julgamento divino a babilônia.


8 E você, Babilônia, será completamente destruída!
Bendito seja o homem que vingar as horríveis maldades que você cometeu contra Israel.
9 Bendito seja o homem que atacar as pequenas cidades em volta de Babilônia
e destruir todas elas!


Babilônia representa todo o sistema corrompido e imoral daquela época. Assim o salmo torna-se escatológico. Apontando para a esperança que o povo Judeu tinha que um dia Deus iria julgar todas as nações, assim como julgou o seu próprio povo Israel.
Devemos entender esses últimos versos como a esperança poética do Juízo vindouro sobre o mundo imoral e profano.


Conclusão:


Relembrar um evento passado às vezes pode ser doloroso. Porém, às vezes é necessário para dar significado ao presente e relembrar o futuro que esta por vir. Essa era a intenção dessa canção festiva no festival das cabanas. Fazer o povo refletir, não só sobre o passado, mas também sobre o futuro e que Deus de Israel, que havia escolhido Jerusalém para sua santa morada, Um dia iria julgar todas as nações do mundo devido a sua imoralidade e impiedade. Assim como fizera com Jerusalém. 



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quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Salmo 126 - O festival da esperança em dias de crise.

Salmo 126 - O festival da esperança em dias de crise.


Salmo 126

1 QUANDO O SENHOR libertou os judeus da escravidão,
   Nossa vida parecia um sonho!
2 Ríamos e cantávamos sem parar, de tanta alegria!
   E muitas nações, por toda a terra, reconheciam:
  "Que grande milagre o Senhor fez para os judeus!"

3 É verdade! O Senhor fez grandes milagres por nós,
   E por isso estamos tão felizes!

4 Ó Senhor, enche novamente a nossa vida de bênçãos,
   Como as chuvas do inverno enchem os riachos secos do sertão, de Judá.

5 Quem planta as sementes chorando
   Colherá as espigas com gritos de alegria.
6 Quem sai com a cesta de sementes chorando enquanto anda,
   Voltará carregado de feixes de espigas, gritando de alegria!



Contexto histórico e data.


Esse salmo muito provavelmente foi usado durante os festivais da colheita do povo de Israel, pois encaixa perfeitamente nessa situação de culto a YaHWeH, dado os versos 4,5 e 6, que evidenciam uma situação de colheita. Na festa da colheita, celebrava-se as bênçãos de Deus derramadas sobre a produção agrícola do ano vigente conforme prescrevia a lei de Moisés (Ex 23,14-17). Essa festa era precedida, 50 dias antes, pela festa das primícias. No novo testamento essa festa ficou conhecida como a festa do pentecostes (festa dos 50 dias).



Devido a sua referencia ao retorno do cativeiro babilônico no verso 1, esse salmo muito provavelmente foi escrito próximo do ano 400 A.C., ou mesmo no período dos Macabeus. Sendo dessa forma um dos últimos salmos a ser escrito.
Apesar de a poesia ter um tom inicial festivo e alegre, ela trata de uma realidade desfavorável. A partir do verso 4, A situação real é revelada. Judá estava passando por uma forte seca que provavelmente prejudicaria as colheitas. Mas o salmista parece crer contra a esperança nesse salmo, pois ele confia que suas lágrimas iriam irrigar toda a terra. Não que ele tivesse tantas lágrima para tal, isto seria humanamente impossível, mas que o SENHOR atenderia as orações de seu povo e transformaria as suas lágrimas em uma torrente de bênçãos sobre a terra que estava seca.
Israel era um povo que vivia essencialmente de sua produção agrícola. Principalmente depois do cativeiro babilônico, pois a nação havia perdido sua autonomia politica estando debaixo das ordens dos grandes impérios como persa, grego, selêucida e romano. Eles dependiam quase que exclusivamente da agricultura. Um longo período de falta de chuvas e seca, como é descrito no verso 4, trazia uma perspectiva sombria e desoladora sobre aquele povo.



A lembrança de um milagre recente. 


O salmista volta os olhos a um passado recente e contempla O grande milagre operado por Deus, revelado ao profeta Jeremias (Jr 25.1-38). O povo de Judá passou 70 anos cativo na babilônia, e havia retornado por um decreto real que ninguém esperava. Em 543 A.C. a primeira leva de judeus retornou para Israel sob a liderança de Zorobabel conforme Ed 5.14. Deus cumpriu a sua palavra e 43.360 judeus, sem contar os servos, (Ed 2.64-65) retornaram a sua pátria amada a fim de reconstruí-la. Entre setembro e outubro daquele mesmo ano foi comemorada a festa dos tabernáculos, ou das primícias, por consequência 50 dias depois a festa das colheitas, Ed 3.1-5, festa que Originou esse lindo salmo. Assim o poeta relembra esse fato em seu canto:


1 QUANDO O SENHOR libertou os judeus da escravidão,
   Nossa vida parecia um sonho!
2 Ríamos e cantávamos sem parar, de tanta alegria!
   E muitas nações, por toda a terra, reconheciam:
  "Que grande milagre o Senhor fez para os judeus!"


Esse milagre estava fresquinho na lembrança do povo. Um Deus que agiu de forma sobrenatural, entrando no cenário da história, era digno de confiança. Era através desse milagre passado que o salmista confiava que Deus mudaria o quadro da atual crise que o povo estava vivendo.



A crise no presente do salmista.


O salmo é escrito de uma perspectiva presente, mas faz referencia a um passado que trazia esperança para acreditar em um futuro de bênçãos, apesar de um presente nada favorável. O poeta sabe usar sua fé para ver além do presente de crise e projetar um futuro de bênçãos, Baseando em um passado em que pode ver a mão de Deus operar de forma poderosa um milagre, mesmo que a situação fosse contrária. Assim ele escreve:


3 É verdade! O Senhor fez grandes milagres por nós,
   E por isso estamos tão felizes!


Parece paradoxal, mas ele afirma com todas as palavras “estamos felizes”. A crise presente não foi capaz de roubar a alegria daquele povo durante a festa das primícias. 50 dias depois viria a festa das colheitas. Mas Parecia que as primeiras safras não iram trazer uma colheita satisfatória para aquele fim ano e para o ano seguinte. Assim o poeta exerce sua fé, sem perder a alegria e voltasse para o Senhor e ora:

.

4 Ó Senhor, enche novamente a nossa vida de bênçãos,
   Como as chuvas do inverno enchem os riachos secos do sertão, de Judá.


É na crença que DEUS intervém na história do seu povo que o salmista pode expressar com ousadia sua confiança.



Riso ou choro o que escolher?


Provavelmente a alegria descrita no verso 3 não era unanimidade. Por isso o poeta conforta e estimula o povo a crer em Deus E contrasta a tristeza presente com a alegria passada, e com a alegria futura. Cantando em voz alta diante de todo o povo na festa:


5 Quem planta as sementes chorando
   Colherá as espigas com gritos de alegria.


A através da repetição de ideias paralelas, característica da poesia hebraica, o salmista reitera sua confiança e canta:


6 Quem sai com a cesta de sementes chorando enquanto anda,
   Voltará carregado de feixes de espigas, gritando de alegria!



Assim termina essa linda poesia canção do festival da colheita de Israel. Um contrate entre o choro presente e os risos que estavam por vim no futuro, e na mente a lembrança de um milagre recente que atestava o cuidado de Deus pelo seu povo. O verdadeiro festival da fé no tempo da crise.



Conclusão.


Esse belo salmo nos ensina a olhar para o passado e ver os milagres que Deus tem feito em nossas vidas. Nossas limitações humanas insistem em nos mostrar os fatos presentes que anunciam um fracasso futuro. Porém Lembremo-nos das maravilhas que Deus fez por nós. Devemos confiar e crer contra a esperança como fez Abraão.

O qual, em esperança, creu contra a esperança, tanto que ele tornou-se pai de muitas nações, conforme o que lhe fora dito: Assim será a tua descendência.
E não enfraquecendo na fé, não atentou para o seu próprio corpo já amortecido, pois era já de quase cem anos, nem tampouco para o amortecimento do ventre de Sara. E não duvidou da promessa de Deus por incredulidade, mas foi fortificado na fé, dando glória a Deus, E estando certíssimo de que o que ele tinha prometido também era poderoso para o fazer.
Romanos 4:18-21


 A mão de Deus agirá em nosso favor e nos dará a vitória futura que tanto desejamos. Deixemos o desespero, a desconfiança e tristeza de lado e confiemos nas promessas divinas. 



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segunda-feira, 5 de outubro de 2015

SALMO 26: Uma vida inteiramente dedicada a Deus.

SALMO 26: Uma vida inteiramente dedicada a Deus.

Julga-me, SENHOR,
Pois tenho andado em minha sinceridade;
Tenho confiado também no SENHOR;
Não vacilarei.

Examina-me, Senhor,
E prova-me;
Esquadrinha os meus rins
E o meu coração.

Porque a tua benignidade está diante dos meus olhos;
E tenho andado na tua verdade.
Não me tenho assentado com homens vãos,
Nem converso com os homens dissimulados.
Tenho odiado a congregação de malfeitores;
Nem me ajunto com os ímpios.

Lavo as minhas mãos na inocência;
E assim andarei, Senhor,
Ao redor do teu altar.
Para publicar com voz de louvor,
E contar todas as tuas maravilhas.

Senhor, eu tenho amado a habitação da tua casa
E o lugar onde permanece a tua glória.
Não apanhes a minha alma com os pecadores,
Nem a minha vida com os homens sanguinolentos,
Em cujas mãos há malefício,
E cuja mão direita está cheia de subornos.
Mas eu ando na minha sinceridade;
Livra-me e tem piedade de mim.

O meu pé está posto em caminho plano;
Nas congregações louvarei ao Senhor.
Salmos 26:1-12



EXPOSIÇÃO


A história do Israel bíblico confunde-se com a história de sua religião. Para um Israelita do período alcançando pelo antigo testamento não havia divisão entre vida religiosa e vida social como é comum entre muitos cristão nos dias atuais. Não havia laicismo. A vida religiosa e a vida social se entrelaçavam de tal maneira que era difícil distinguir uma da outra. O Salmo 26 é uma prova do que estamos comentando. Nesse salmo não há dicotomia ou polarização entre a vida social e a vida religiosa, Mas ambas estão unidas em uma só. Essa é a vida do adorador de YHWH, o Senhor.  O Senhor bem conhece a vida de um verdadeiro servo seu. Assim o salmista declara com muita fé:

Julga-me, SENHOR,
Pois tenho andado em minha sinceridade;
Tenho confiado também no SENHOR;
Não vacilarei.

“Jugar” no contexto significa verificar de forma objetiva, observar. O salmista tem confiança e fé que Deus conhecia sua sinceridade e integridade na sua maneira de viver. Assim ele continua e repete a ideia inicial através do paralelismo, primeiro sinomico, depois sintético:

Examina-me, Senhor,
E prova-me;
Esquadrinha os meus rins
E o meu coração.

O argumento do salmista é simples. É impossível negar a bondade do Senhor:

Porque a tua benignidade está diante dos meus olhos;
E tenho andado na tua verdade.

Por consequência dessa bondade de YHWH, o salmista sentia-se agradecido e sua vida moral integra era a forma que ele tinha para expressar essa gratidão:

Não me tenho assentado com homens vãos,
Nem converso com os homens dissimulados.
Tenho odiado a congregação de malfeitores;
Nem me ajunto com os ímpios.

A fórmula do salmista é bastante simples, toda sua vida moral era uma forma de agradecer as beneficências do Senhor. Essa fórmula não caiu em desuso. Pelo contrário ainda está em voga e é bastante simples para qualquer cristão contemporâneo. Continua o salmista, numa das expressões mais belas desse salmo: 

Lavo as minhas mãos na inocência;
E assim andarei, Senhor,
Ao redor do teu altar.

Andar no contexto que o salmo oferece significa “maneira de viver”. Parafraseando o texto temos: “viverei a minha vida como que vive ao redor do teu altar”. O altar do senhor é um lugar de santidade, sacrifício e devoção. O salmista declara que no centro das suas escolhas e de seu modo de viver está o altar do Senhor. Tal declaração é fascinante. Ter uma vida que, em todos os sentidos da palavra, que orbita em torno do altar de YHWH, como um satélite que orbita ao redor do astro rei, refletindo o seu brilho. Assim o salmista continua:

Para publicar com voz de louvor,
E contar todas as tuas maravilhas.

A palavra publicar é usada para traduzir a palavra hebraica “sãmá”. Essa raiz no hebraico tem várias conotações e poder ser traduzida de forma literal como ouvir ou apregoar. Mas essa palavra traz também a extensão semântica "de uso de inteligência", como ouvir com atenção, ou fazer um proclamação em meio a uma assembleia pública de forma clara e objetiva. Mas a raiz “sãmá” e complementada com a expressão “qôl tôdhãh”, traduzida como "voz de louvor", Mas traduzida Literalmente diz: “uma confissão em voz alta”. “qôl” significa voz alta ou um barulho com a finalidade de atrair a atenção. “todhãh” tem sentido literal de uma confissão pública e sentido figurado de louvor. O tradutor do texto que nós escolhemos optou por uma tradução figurada dessa expressão. Porém ela poderia ser traduzida literalmente como “confissão pública”. Em sua raiz, também está a ideia de uma manifestação visível e prática, como o ato de estender as mãos num culto de adoração pulblica, Ou seja, tornar visível o louvor. Assim o salmista manifesta através de sua vida a gloria do Senhor. Não através de uma simples crença religiosa. Mas através de uma confissão diária mediante de seus atos e de sua vida cotidiana. Um som de louvor que emerge através de seu comportamento integro e sincero diante do Senhor.  

Ele continua e faz uma declaração de amor ao santo templo.

Senhor, eu tenho amado a habitação da tua casa
E o lugar onde permanece a tua glória.

Ele declara o seu amor ao templo, porque lá estava a gloria do Senhor. A presença que o fortalece moralmente para viver uma vida integra diante de YHWH.

O salmista clama para que o Senhor tenha misericórdia de sua alma e não a confunda com a dos pecadores.

Não apanhes a minha alma com os pecadores,
Nem a minha vida com os homens sanguinolentos,
Em cujas mãos há malefício,
E cuja mão direita está cheia de subornos.
Mas eu ando na minha sinceridade;
Livra-me e tem piedade de mim.

              O salmista conclui a canção da integridade declarando que seus caminhos estão aplainados, não á desvios.

O meu pé está posto em caminho plano;
Nas congregações louvarei ao Senhor.

A conclusão desse salmo mostra mais uma vez que não havia dicotomia entre a vida social e sua vida religiosa. Perceba o paralelo final que ele faz entre o “seu caminho” e “as congregações do Senhor”. Congregações aqui significa festividades religiosas, como a pascoa ou a festa dos tabernáculos. Festas de cunho tanto religioso como social. A vida do verdadeiro adorador do Senhor e servo seu não pode ter polarização entre vida social e religiosa. Vida particular e espiritual, vida no trabalho e vida na igreja. Mas a vida do cristão deve ser plena e centrada no altar de Deus.  Que o Senhor nos ajude a ter uma vida integralmente consagrada a ele onde quer que estejamos.

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sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Salmo 113 - Louvando e reconhecendo a bondade de Deus.

Salmo 113 - Louvando e reconhecendo a bondade de Deus.

Prólogo: O convite a adoração.

1 Aleluia! Louvem, ó servos do Senhor,
Louvem o nome do Senhor!
2 Seja bendito o nome do Senhor,
Desde agora e para sempre!
3 Do nascente ao poente,
Seja louvado o nome do Senhor!

A soberania do Senhor sobre as nações

4 O Senhor está exaltado acima de todas as nações;
E acima dos céus está a sua glória.
5 Quem é como o Senhor, o nosso Deus,
Que reina em seu trono nas alturas,
6 mas se inclina para contemplar
O que acontece nos céus e na terra?

A fé que Deus erguerá novamente o seu povo.

7 Ele levanta do pó o necessitado
E ergue do lixo o pobre,
para fazê-los sentar-se com príncipes,
Com os príncipes do seu povo.
9 Dá um lar à estéril,
E dela faz uma feliz mãe de filhos.
Aleluia!



Introdução:

Esse salmo tem um forte apelo coletivo. Ele está diretamente relacionado com louvor coletivo no período dos pós exílio, século IV A.C. Embora o uso do tetragrama, no Original hebraico, YHWH, o relacione a tradição Javista. O que indica que sua origem remonte antes do cativeiro, provavelmente ao início do período monárquico. Porém a expressão final, aleluia, sugere uma edição posterior, muito provavelmente no pós exilio. Observe o fim dos salmos 115, 116, 117, Aparentemente a expressão “louvai ao senhor”, ou Aleluia em algumas versões,  foi colocada propositalmente com o fim de dá unidade a esses salmos. A posição que o salmo 113 se encontra, dá a entender que o editor o colocou aí devido a uso frequente da palavra “aleluia”, ou louvai ao Senhor”, em seu texto. Percebe-se que os salmos que o precedem e os que o sucedem também usam com frequência a expressão “louvai ao Senhor”, ou aleluia. Expositores e comentaristas do livro dos salmos costumam fazer referência a uma tradição que classifica os salmos de 113 a 118 como o HALLEL SAGRADO. Segundo essa tradição esses salmos eram cantados no período dá pascoa judaica, pelos judeus. Muito provavelmente Jesus tenha cantado esses salmos depois da última ceia.

Por seu forte tom coletivo, podemos entende-lo como um salmo que teve por finalidade promover a unidade do Israel, mediante a fé em YHWH. Exaltando o Deus de Israel sobre as nações que, após o cativeiro babilônico, viam Israel acabado e falido como nação. Mas o Deus de Israel está acima de todas as nações.  O exemplo do pobre que é erguido e o dá mulher estéril abençoada por YHWH deixa claro que o Senhor cuida de cada um dos seus, tanto no sentido pessoal, como no sentido coletivo. Ele também ergueria Israel novamente como um grande reino. O vocativo coletivo no louvor deve ser entendido também como um vocativo nacional. A chamada para o louvor pedia como resposta não só corações gratos ao Senhor por sua bondade, Mas também pedia como resposta a fé que Deus restauraria seu povo como uma nação, pois ele cuida dos pobres e necessitados.


 Comentário.

O salmo inicia com uma chamada coletiva ao louvar ao senhor:

1 Aleluia! Louvem, ó servos do Senhor,
Louvem o nome do Senhor!

O nome sagrado de Deus YHWH está ligado diretamente a sua natureza. Esse nome revela Deus como aquele auto suficiente e é eterno. Os que seguem os preceitos modernos do judaísmo o costumam o substituir pela expressão “O ETERNO”. Por servos do senhor entenda no contexto do pós cativeiro babilônico, todo o povo de Israel presente nas festas sagradas. Todos no santo ajuntamento são convidados a reconhecer a natureza divina revelada em seu nome:

2 Seja bendito o nome do Senhor,
Desde agora e para sempre!

De forma continuada e por toda eternidade o nome do Senhor deve ser louvado. O poeta é bem pragmático quando usa o paralelismo para indicar o tempo que o nome do senhor deveria ser louvado:

3 Do nascente ao poente,
Seja louvado o nome do Senhor!

Ou seja, o dia inteiro o nome do Senhor deveria ser louvado pelo seu povo.
        O salmo começa agora a revelar seu propósito editatorial que era revelar a soberania do senhor sobre todas as noções que cercavam e oprimiam o povo de Deus após o cativeiro babilônico.

4 O Senhor está exaltado acima de todas as nações;
E acima dos céus está a sua glória.

Perceba a partir de agora que o salmo começa a tomar um discurso nacionalista. O Senhor é o verdadeiro rei de Israel e não um rei pagão. Pois o Senhor está acima de todas as nações, governando a terra, e sua glória é transcendente não se limitando a terra, mas estendendo-se até os céus. Mas apesar de transcendente ele olha e vê as aflições de seu povo. Ele podia ver o clamor e o sofrimento do Israel pós exilado.

5 Quem é como o Senhor, o nosso Deus,
Que reina em seu trono nas alturas,
6 mas se inclina para contemplar
O que acontece nos céus e na terra?

YHWH não é como os soberanos e reis da terra que não estão nem aí para os sofrimento de seus súditos mais oprimidos. Mas ele se projeta do seu trono, dedicando uma atenção especial pelo pobre e por todo aquele que passa por angustias.

7 Ele levanta do pó o necessitado
E ergue do lixo o pobre,
Para fazê-los sentar-se com príncipes,
Com os príncipes do seu povo.
9 Dá um lar à estéril,
E dela faz uma feliz mãe de filhos.
Aleluia!

YHWH não é só transcendente em toda sua glória, mas também é imanente. Ele não só contempla o sofrimento de cada pessoa, mas também age em favor. O texto deixa claro ele mesmo “levanta do pó o necessitado” e “dá a estéril um lar”. A palavra hebraica traduzida por inclinar-se ou curva-se é “saphel” que significa humilhar-se, rebaixar-se, afundar ou ser nivelado por baixo. A ideia no contexto é se tornar participante da humilhação do pobre. Que Rei na terra seria capaz de tomar parte no sofrimento dos seus súditos? Ninguém. Só mesmo o Senhor é capaz de se identificar com o sofrimento de seu povo e tomar para si mesmo essa aflição.

Muitos abrem um debate teológico sobre quem é a mulher que o salmista faz referência no texto. Seria Ana ou sara? Muitos erram ao fazer essa pergunta por não ler o salmo dentro de seu sentido nacionalista. A chamada inicial no verso 1 é para todo Israel, o verso 4 deixa claro que o Senhor está à frente de todas as nações e observando o contexto pois exilio, podemos declarar que A mulher estéril é toda a nação de Israel que passava por uma crise nacional. O povo de Deus confiava na restauração que o senhor faria. O povo de Deus é o necessitado lançado ao pó, Mas Deus o levantará e o restaurará entre as outras nações.

O acréscimo do editor do período pós babilônico encerra esse salmo com igual convite que o abriu “Aleluia” ou “louvai o Senhor”.


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quarta-feira, 15 de julho de 2015

SALMO 2: A recitação da peça real - A posse do rei.


SALMO 2 - A recitação da peça real: A posse do novo rei.


O Salmo:

A multidão em expectativa grita:

Por que se amotinam os gentios,
E os povos imaginam coisas vãs?

Os reis da terra se levantam
E os governos consultam juntamente contra o Senhor
E contra o seu ungido, dizendo:
Rompamos as suas ataduras,
E sacudamos de nós as suas cordas.

O Sumo sacerdote intervém acalmando a multidão:

Aquele que habita nos céus se rirá;
O Senhor zombará deles.
Então lhes falará na sua ira,
E no seu furor os turbará.

Eu, porém, ungi o meu Rei sobre o meu santo monte de Sião

O Sumo sacerdote recita a súmula de posse:

Proclamarei o decreto:

O Senhor me disse: Tu és meu Filho,
                                    Eu hoje te gerei.

Pede-me, e eu te darei os gentios por herança,
E os fins da terra por tua possessão.
Tu os esmigalharás com uma vara de ferro;
Tu os despedaçarás como a um vaso de oleiro.

A multidão extasiada Levanta a voz reconhecendo o novo rei:

Agora, pois, ó reis, sede prudentes;
Deixai-vos instruir, juízes da terra.
Servi ao Senhor com temor, e alegrai-vos com tremor.
Beijai o Filho, para que se não ire,
E pereçais no caminho,

Quando em breve se acender a sua ira;
Bem-aventurados todos aqueles que nele confiam.
Salmos 2:1-12

COMENTÁRIO



O salmo 2 faz parte de uma peça real de salmos junto com os salmos 75, 101 e 109. Esses salmos eram usados e recitados, pelos reis do reino do sul durante a sua coroação religiosa. A povo participava dessa recitação juntamente com a classe sacerdotal. O príncipe da linhagem real de Davi punha-se em pé diante das colunas do templo em Jerusalém. Nesse momento, a grande multidão formada pelo povo, pelos levitas e pelos sacerdotes clamavam em voz alta:

Por que se amotinam os gentios,
E os povos imaginam coisas vãs?

Os reis da terra se levantam
E os governos consultam juntamente contra o Senhor
E contra o seu ungido, dizendo:
Rompamos as suas ataduras,
E sacudamos de nós as suas cordas.
Salmos 2:1-3


A agitação e a gritaria do povo, ansioso diante do santo templo, era a representação da agitação das nações ao redor do reino do sul. A posse de um novo rei era sempre um momento de grande expectativa pelas nações ao redor de Judá. Um rei sem carisma e sem pulso era sempre uma oportunidade das nações subjugadas por Jerusalém se rebelarem e declarar guerra por sua independência. As rebeliões das nações vizinha sempre foram um termômetro da aprovação divina ou não do governante do povo de IHWH (1 RS 11.1-43).  



O sumo sacerdote ergue sua voz e gritava em um tom poderoso, regado pela a unção divina, clamando:

Aquele que habita nos céus se rirá;
O Senhor zombará deles.
Então lhes falará na sua ira,
E no seu furor os turbará.
Eu, porém, ungi o meu Rei sobre o meu santo monte de Sião
Salmos 2:4-6

A multidão silenciava diante do poderoso oráculo divino. Os seus olhares voltavam-se para o descendente de Davi. Então o sacerdote iniciava a unção de posse com a recitação da aliança divina com a casa de Davi:



Proclamarei o decreto:

O Senhor me disse: Tu és meu Filho,
                                    Eu hoje te gerei.

Pede-me, e eu te darei os gentios por herança,
E os fins da terra por tua possessão.
Tu os esmigalharás com uma vara de ferro;
Tu os despedaçarás como a um vaso de oleiro.
Salmos 2:7-9

A recitação era feita em forma de um decreto divino. Naquele momento, o óleo representando a unção divina era derramado na cabeça do novo rei. Um novo rei foi “gerado” pela unção divina. Ele é o filho e representante direto de Deus entre os homens. Deus é o seu pai e Lhe dá como herança o seu povo para governar. Sobre o novo rei está as promessas feitas a Abraão de herdar todos os confins da terra. E em demonstração de afeto Deus pergunta o que ele deseja: “Pede-me, e eu te darei os gentios por herança E os fins da terra por tua possessão.”


          A multidão ia ao delírio e, em voz uníssona, completava a recitação gritando:

Agora, pois, ó reis, sede prudentes;
Deixai-vos instruir, juízes da terra.
Servi ao Senhor com temor, e alegrai-vos com tremor.
Beijai o Filho, para que se não ire,
E pereçais no caminho,

Quando em breve se acender a sua ira;
Bem-aventurados todos aqueles que nele confiam.
Salmos 2:10-12


A multidão reconhecia o novo rei como o filho ungido do Deus terrível. Prestando homenagens ao rei: “beijai o filho”.

Essa linda peça real do novo rei, da linhagem de Davi, aponta diretamente para Jesus cristo. Ele é o herdeiro gerado por Deus e autêntico descendente da linhagem de Davi. E com poder regerá toda a terra durante o reino milenial. Essa será a peça que será usada durante sua entronização no milênio.  




segunda-feira, 23 de março de 2015

SALMO 52 – O salmo do fofoqueiro.

SALMO 52 – O salmo do fofoqueiro.



1    O PROLÓGO

Ao regente do coro. Um poema didático de Davi, quando Doegue, edomita, fez saber a Saul que Davi entrara na casa de Abimeleque. 

O CARATÉR PECAMINOSO DE DOEGUE

    Por que, ó prepotente, te vanglorias na maldade,
    Para ultraje de Deus, todo dia?

2  Engendras crimes;
    Tua língua é lâmina afiada,
    É forjadora de intrigas.
3  Ao bem, preferes o mal;
    À palavra da justiça, a mentira.
4 Todas as palavras perniciosas te agradam,
   Ó língua pérfida!

A REPROVAÇÃO DIVINA DO COMPORTAMENTO DE DOEGUE

5  O próprio Deus te destruirá para sempre;
    Agarrando-te, te arrancará da tenda,
    Para erradicar-te da terra dos vivos.
6  Ao vê-lo, os justos, Tomados de temor,
     Dele escarnecerão:
7  “Eis o homem que não tomava a Deus por seu refúgio!
     Porquanto, depositava sua fé em suas muitas riquezas e,
     Assim, tornou-se poderoso por seus crimes”.

 UMA CONCLUSÃO QUE EXALTA O SENHOR.

8   Eu, porém, qual oliveira verdejante na casa de Deus,
     Confio no amor divino para todo o sempre!
9   Eu sempre te louvarei pelo que fizeste;
     Na presença dos teus fiéis proclamarei o teu Nome,
     Porque Tu és bom!

Bíblia King James Atualizada 



“Salmo de Davi, quando Doegue, edomita, fez saber a Saul que Davi havia entrado na casa do sacerdote Aimeleque.”


Esse salmo traz um prologo que associa a situação na qual ele foi escrito. Trata de um salmo escrito denunciando a falta de caráter e temor de um Homem chamado Doegue. Por causa desse homem mais de 85 sacerdotes do senhor foram mortos a fio de espada pela ordens do enciumado rei Saul conforme podemos ver em 2 Sm 22. Doegue denunciou ao rei Saul que Davi recebeu ajuda do sacerdote Aimeleque durante sua fuga. Quando Saul tentou o matar.



Davi inicia esse salmo já revelando a falta de temor desse homem pecaminoso. A versão NVI traz a seguinte expressão:

Por que você se vangloria do mal
E de ultrajar a Deus continuamente?
ÓH homem poderoso.

O ultraje cometido por Doegue foi o assassinato de 85 sacerdotes com suas próprias mãos. De alguma forma Doegue deve ter se Gloriado do que fizera. Achando que não receberia o castigo divino pelos seus maus feitos. É provável que Doegue tenha se ensoberbecido pelo que fizera e tenha aberto os seus lábios contando vantagem do que fizera. Assim Davi escreve:

Sua língua trama destruição;
É como navalha afiada,
Cheia de engano.
Você prefere o mal ao bem,
A falsidade, em lugar da verdade.

O discurso maligno de Doegue era imoral e perverso. Desprovido de qualquer temor de Deus. Ele procurava justificar a si próprio.

Você ama toda palavra maldosa,
Óh língua mentirosa!

É bem provável que o termo “Valente” ou “poderoso” usado no versículo 1, seja uma forma de Davi ironizar o discurso de auto suficiência de Doegue que se achara bem corajoso que o demais soldados de Saul que se negaram a assassinar os sacerdotes do Senhor. O salmo continua apontando a sentença deste homem perverso:

Saiba que Deus o arruinará para sempre:
Ele o agarrará e o arrancará da sua tenda;
Ele o desarraigará da terra dos vivos. Pausa
             Salmos 52:5

Deus é descrito como um guerreiro valente que “agarra” e “arranca” o seu inimigo de dentro de sua casa. Trazendo seu adversário para fora diante dos olhos de todos trazendo o castigo e a reprovação pública dos maus atos desse homem sem temor. Doegue serviria de exemplo para os Justos:

Os justos verão isso e temerão; rirão dele, dizendo:
            "Veja só o homem que rejeitou a Deus como refúgio;
Confiou em sua grande riqueza
E buscou refúgio em sua maldade! "
             Salmos 52:6-7


Nesses versículos pode-se perceber que Doegue mais uma vez é ironizado. E o seu nome é associado a um provérbio Irônico que caçoa de sua falta de caráter moral e temor divino. Enquanto isso o justo é comparado as plantas que serviam de adorno na casa do Senhor:

Mas eu sou qual oliveira verde na casa de Deus;
Confio na bondade de Deus para sempre e eternamente.
              Salmos 52:8

Aqueles que temem ao senhor e praticam a justiças seriam como as palmeiras esculpidas nas paredes do templo (1 Reis 6:29). Um adorno que tinha por finalidade demostrar a santidade de Deus. Assim o justo é demonstra em seu comportamento temente a santidade e o caráter moral de Deus.  O salmo termina com uma declaração de fé que se opõe ao comportamento incrédulo de Doegue. Declara Davi:

Para sempre te louvarei pelo que fizeste;
Na presença dos teus fiéis proclamarei o teu nome,
Porque tu és bom.


Esse salmo se põe contra qualquer sentimento de auto suficiência. A Fé de Davi é colocada em oposição ao proceder imoral de Doegue. Deus é uma criatura moral. Ele reprova qualquer atitude auto suficiente. Jesus anuncia no novo testamento uma verdade espiritual que Davi conhecia muito bem e que Doegue não:


Pois todo aquele que a si mesmo se exaltar será humilhado, e todo aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado. Mateus 23:12


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