sexta-feira, 17 de maio de 2013

SALMO 29 – Deus fala através uma de grande tempestade


SALMO 29 – Deus fala através de uma grande tempestade.

Tributai ao SENHOR, vós, filhos dos poderosos,
Rendei ao SENHOR glória e força.
Tributai ao SENHOR a glória devida ao seu Nome.
Adorai ao SENHOR, por causa do esplendor da sua santidade.

A voz do SENHOR ressoa sobre o bramido das águas.
O Deus glorioso troveja,
O SENHOR está sobre a vastidão dos mares.
A voz do SENHOR expressa força;
A voz do SENHOR é majestosa.
A voz do SENHOR quebra os cedros;

O SENHOR despedaçou os cedros do Líbano.
O SENHOR faz o Líbano saltar como bezerro;
E o monte Hermom, como cria de búfalo.
A voz do SENHOR corta os céus com raios flamejantes.
A voz do SENHOR faz tremer o deserto;
O SENHOR faz tremer o deserto de Cades.
A voz do SENHOR faz tremer as corças e desnuda os carvalhos nas florestas.
E no seu templo todos bradam: “Glória!”

Acima do Dilúvio estabeleceu o Eterno seu trono.
O SENHOR reinará para sempre.
O SENHOR concederá força ao seu povo;

O SENHOR abençoará o seu povo com paz.

Salmos 29:1-11



INTRODUÇÃO.


  O salmo 29 narra a passagem de uma grande tempestade que faz um giro ao redor de Israel, deixando o povo de Deus no centro. Muito provavelmente o poeta Davi, em sua juventude, tenha contemplado esse grande fenômeno e inspirado pelo Espirito Santo, tenha composto esse belo poema.

   Essa grande tempestade tem origem no mar, v3, e entra no continente pelo Líbano, V5, a norte de Israel.  Atravessa as florestas da cidade Tiro, muito famosa pelos seus cedros quase que indestrutíveis, v6, desce pela cadeia montanhosa a nordeste de Israel, v6 passando pelo deserto a leste, passando pelo de deserto de Cades a sudeste de Israel, v8, voltando para o mar, v10. Acompanhe o giro da tempestade pelo mapa. Observe que os versículos descrevem perfeitamente a trajetória da tormenta desoladora. Vale destacar que grandes temporais não são comuns nessa região desértica. Dessa forma esse fenômeno ganha significado único para um pastor no deserto. Nesse poema podemos ver Deus entronizado sobre as forças da natureza. Apesar de destruidora essa tempestade dá uma volta ao redor de Jerusalém. A cidade de DEUS está no olho do furacão, mas não é atingida por tal tempestade torrencial, pois o Senhor todo poderoso reside na sua cidade e no seu templo.



UM CONVITE A ADORAÇÃO.

            O salmista Davi de sua casa real, em jerusalém, contempla uma grande tempestade e no meio dessa tempestade ele poder erguer seus olhos ao céu e contemplar um coro de anjos:



Dai ao SENHOR, ó filhos dos poderosos, 
 Dai ao SENHOR glória e força.
Dai ao SENHOR a glória devida ao seu nome, 
Adorai o SENHOR na beleza da santidade.”

          
           Tempestade na terra, mas louvor e adoração no céu. Um coral de anjos louva ao Senhor enquanto na terra uma tempestade anuncia a gloria do Senhor aos homens. Davi descreve uma serie de raios e relâmpagos junto com uma tempestade torrencial que ele logo reconhece como a voz de Deus. Umas das formas que Deus comunica sua grandeza e revela seu controle providencial aos homens.

A voz do SENHOR ouve-se sobre as suas águas; 
O Deus da glória troveja; 
O SENHOR está sobre as muitas águas.


             Uma tempestade que nasce no Líbano, ao norte de Israel, passa por sirion, segue ao deserto de cades, por traz de Israel  e para magistralmente sobre o mar, "o grande diluvio". A tempestade circula ao redor de Israel, porém não caí sobre israel. E assim Israel é abençoado por Deus, com muita paz. A tempestade vem ameaçar, mas não trás a desolação sobre Israel.

“O SENHOR dará força ao seu povo; 
 O SENHOR abençoará o seu povo com paz.”


         O olho do furacão não é lugar onde ninguém quer está. A vida é repleta de tempestades simbólicas que vem para nos atingir. Porém essas tempestades revelam a presença protetora do Senhor. Davi em meio a tempestade encontrou inspiração para compor uma poesia. É nesse exemplo que devemos nos inspirar. Se os problemas te rodeiam como uma tempestade, mude sua perspectiva olhe para o Céu e ouça a voz de Deus falando com você. Veja e sinta a mão dele sobre sua vida lhe protegendo em meio as aflições e os problemas da vida.



Passeio na tempestade Leia mendonça 

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UM COMENTÁRIO EXEGÉTICO E DEVOCIONAL DO SALMO 26.
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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Um Novo tempo - salmo 72


Um Novo tempo
Salmos 72
 [Salmo para Salomão] ouvir,
O Deus, dá ao rei os teus juízos, e a tua justiça ao filho do rei.
Ele julgará ao teu povo com justiça, e aos teus pobres com juízo.
Os montes trarão paz ao povo, e os outeiros, justiça.
Julgará os aflitos do povo, salvará os filhos do necessitado, e quebrantará o opressor.
Temer-te-ão enquanto durarem o sol e a lua, de geração em geração.
Ele descerá como chuva sobre a erva ceifada, como os chuveiros que umedecem a terra.
Nos seus dias florescerá o justo, e abundância de paz haverá enquanto durar a lua.
Dominará de mar a mar, e desde o rio até às extremidades da terra.
Aqueles que habitam no deserto se inclinarão ante ele, e os seus inimigos lamberão o pó.
Os reis de Társis e das ilhas trarão presentes; os reis de Sabá e de Seba oferecerão dons.
E todos os reis se prostrarão perante ele; todas as nações o servirão.
Porque ele livrará ao necessitado quando clamar, como também ao aflito e ao que não tem quem o ajude.
Compadecer-se-á do pobre e do aflito, e salvará as almas dos necessitados.
Libertará as suas almas do engano e da violência, e precioso será o seu sangue aos olhos dele.
E viverá, e se lhe dará do ouro de Sabá; e continuamente se fará por ele oração; e todos os dias o bendirão.
Haverá um punhado de trigo na terra sobre as cabeças dos montes; o seu fruto se moverá como o Líbano, e os da cidade florescerão como a erva da terra.
O seu nome permanecerá eternamente; o seu nome se irá propagando de pais a filhos enquanto o sol durar, e os homens serão abençoados nele; todas as nações lhe chamarão bem-aventurado.
Bendito seja o SENHOR Deus, o Deus de Israel, que só ele faz maravilhas.
E bendito seja para sempre o seu nome glorioso; e encha-se toda a terra da sua glória. Amém e Amém.
Aqui acabam as orações de Davi, filho de Jessé.




         Este salmo é o ultimo do segundo livro dos salmos. O segundo livro dos salmos tem como introdução o salmo 42. Ele deve ser lido em paralelo com o salmo 71, pois no salmo 71 vemos Davi glorificar a Deus em seus últimos dias de vida. No salmo 72 vemos Salomão no inicio de seu reinado pedindo a benção de Deus. Este salmo, 72, traz como tema o desejo de Salomão, o filho da paz, por dias em que a justiça de Deus seria manifesta.

O Deus, dá ao rei os teus juízos, e a tua justiça ao filho do rei.
Ele julgará ao teu povo com justiça, e aos teus pobres com juízo.
Os montes trarão paz ao povo, e os outeiros, justiça.
Julgará os aflitos do povo, salvará os filhos do necessitado, e quebrantará o opressor.
Temer-te-ão enquanto durarem o sol e a lua, de geração em geração. 
Salmos 72:1-5

         Um novo tempo é o tema central desse salmo. Ele descreve a transição do reinado de Davi o rei guerreiro para o reinado de Salomão o reino da paz e da sabedoria. Devemos crer como Salomão que Deus trará sobre nossas vidas um tempo de paz e prosperidade, não devemos desanimar mas confiar Que Deus não nos abandonará, mas nos fará prospera e sermos felizes!

          Muitos também classificam esse salmo como messiânico, pois a benção e o tempo de justiça descrito nesse salmo serão plenamente alcançados nos dias em que nosso senhor Jesus estabelecer seu reinado de forma efetiva na terra. Embora não haja citações desse salmo no novo testamento ou que o associe diretamente a pessoa de Cristo, condições básicas para classificação do salmo como messiânico, Podemos ver as grandezas do reino de cristo infinitamente ampliadas através do reinado de salomão.

           Aproveitando também o clima de final de ano, como já comentamos acima, esse salmo marca a transição de dois reinados um marcado pela guerra e pelo louvor, o reino de Davi, para um reinado de paz, sabedoria e justiça. Que Deus faça uma transição de períodos na vida de muitos. Que O Senhor te tire do período de guerra para o período da benção e da paz e traga a justiça sobre a tua vida.


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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

SALMO 1 - Bem aventurado aquele que marcha

       Historicamente o livro dos salmos é a junção de 5 livros distintos. O primeiro livro vai do salmo 1 ao salmo 41. Nesse primeiro livro prevalece uma linguagem moralizante onde os leitores incentivados e estimulados a viverem uma vida santa e justa. Podemos perceber isso já no primeiro salmo:

Salmos 1

1 BEM-AVENTURADO o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores.
2 Antes tem o seu prazer na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite.
3 Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará.
4 Não são assim os ímpios; mas são como a moinha que o vento espalha.
5 Por isso os ímpios não subsistirão no juízo, nem os pecadores na congregação dos justos.
6 Porque o SENHOR conhece o caminho dos justos; porém o caminho dos ímpios perecerá.


              A fórmula poética “bem aventurado” que inicia esse salmo na verdade no original é uma partícula equivalente a uma exclamação.  Muitos comentaristas  sugerem que uma tradução mais correta desse termo do original para o português seria: “oh, quão bem aventurado!”. Expressando assim mais enfaticamente a poeticidade desse termo.

             No salmo em questão a tradução para português, do versículo inicial, esconde a poesia do texto. Como acontece em o livro dos salmos na versão de João ferreira de Almeida em que a ênfase está nas transliteração  das palavras e da gramática, não na forma poética. Vamos tentar resgatar a poesia desse texto inicialmente.

PRIMEIRO:  A poesia hebraica é construída sob paralelismo de idéias e  linhas poéticas.
Observe o exemplo do salmo 96 versículos 10 e 11


11                                           Alegrem-se os céus, e regozije-se a terra;                  linha 1
                                                      Brame o mar e a sua plenitude.                             linha 2
12                                        Alegre-se o campo com tudo o que há nele;                linha 3
                                          Então se regozijarão todas as árvores do bosque,         linha 4


         Observe as idéias paralelas entre duas primeiras linhas e as duas últimas. Perceba que os termos e as imagens são diferentes (céu, terra e mar nas 2 duas primeiras e campo e arvores nas 2 ultimas) mas as idéias são as mesma, o louvor a deus é visto na natureza. Além do que uma dualidade entre a primeira e segunda linha (céu em oposição a terra e terra em oposição ao mar mais as ações são as que dão sentido as expressões as mesmas, alegrar-se, regozijar-se e bramar são colocados no texto como sinônimos assim repetindo a mesma idéia.

Alegrem-se os céus,
e regozije-se a terra;
Brame o mar e a sua plenitude.

      É claro que a poesia hebraica não consiste em dizer a mesma coisa com palavras diferentes, as idéias podem se completar, se opor ou ser acrescida pelas imagens, figuras e palavras que denotam ação.

SEGUNDO: Voltando ao salmo 1, vemos uma idéia que se opõe e cresce.

           A palavra hebraica traduzida por bem aventurado (éser) é uma palavra derivada de outra palavra que traduzindo literalmente seria marchar harmoniosamente (asar ou aser), ou ainda seguir em linha reta, ou aquilo que é reto e equilibrado. Trazendo a idéia de uma continuidade constante. Então fazendo uma tradução livre, porém que resgatando a poesia no texto teríamos o seguinte:

ÓH, como marcha bem
Aquele que não caminha seguindo a opinião dos maldosos
Não para na estrada dos pecadores
Nem se senta para conversar com os falam maldades.

               Perceba a idéia de oposição entre o justo e o ímpio e essa idéia cresce com os termos marchar, caminhar parar e sentar! Ai é que está a linda poesia hebraica.


                 O Justo ele é feliz por que marcha, caminha de forma ordenada, harmoniosamente equilibradamente em linha reta em quanto o ímpio simplesmente caminha. O justo persevera e não para na estrada se expondo ao perigo. E por último não se distrai não aceitando o convite para pernoitar e jantar com pessoas que aparentemente são boas mais são na verdade são pessoas não tem pudor naquilo que falam.

          Lembrando que este salmo como a grande maioria era entoado nas festas sagradas dos judeus (a páscoa, a festa do pentecostes, o próprio sábado etc...) e grande maioria dos judeus faziam peregrinação das cidades ou lugares onde residiam para Jerusalém, local onde estava o santo templo. Então este salmo trás como referência essa peregrinação.
          Fica para nós, cristãos, uma reflexão não sobre uma peregrinação literal, mas uma caminhada espiritual a Jerusalém celeste.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Salmos 48 – além de um espírito nacionalista

1.  GRANDE é o SENHOR 
     e mui digno de louvor, 
    na cidade do nosso Deus, 
    no seu monte santo.

2.  Formoso de sítio, e alegria de toda a terra é o monte Sião sobre os lados do norte, 
     a cidade do grande Rei.
3.  Deus é conhecido nos seus palácios por um alto refúgio.

4.  Porque eis que os reis se ajuntaram; 
     eles passaram juntos.
5.  Viram-no e ficaram maravilhados; 
     ficaram assombrados e se apressaram em fugir.
6.  Tremor ali os tomou, e 
     dores como de mulher de parto.

7.  Tu quebras as naus de Társis com um vento oriental.
8.  Como o ouvimos, assim o vimos na cidade do SENHOR dos Exércitos, 
      na cidade do nosso Deus. Deus a confirmará para sempre. ( Selá. )
9.  Lembramo-nos, ó Deus, da tua benignidade, no meio do teu templo.
10.  Segundo é o teu nome, ó Deus, 
       assim é o teu louvor, até aos fins da terra; 
       a tua mão direita está cheia de justiça.

11.  Alegre-se o monte de Sião; 
        alegrem-se as filhas de Judá por causa dos teus juízos.
12.  Rodeai Sião, 
       e cercai-a, 
       contai as suas torres.
13.  Marcai bem os seus ante muros, 
       considerai os seus palácios, 
       para que o conteis à geração seguinte.
14.  Porque este Deus é o nosso Deus para sempre; 
        ele será nosso guia até à morte.


              Este salmo de louvor a Deus trás como plano de fundo Jerusalém, retratada no monte Sião. Nele é demonstrado o espírito nacionalista dos judeus do período do antigo testamento. Mas esse espírito nacionalista não é o tema central desse salmo. Esse nacionalismo é a linguagem pela qual o salmista expressa sua fé e confiança em Deus que o guardião do povo Judeu.
            
             O monte Sião, como comentamos em outra ocasião, era uma fortaleza natural contra ataques de nações inimigas. Erguido cerca de 800m acima do nível do mar sendo a montanha mais alta do reino de Judá. Com ascensão de Davi ao trono, tornou-se a fortaleza de Davi, o grande rei, e também o local de onde foi enterrado o seu corpo. Davi expandiu consideravelmente as fronteiras de Israel através de uma bem sucedida campanha militar. Assim nos tempos de Davi o monte Sião era o símbolo político-militar de Israel. Mais tarde Davi ordenou que a arca da aliança fosse trazida para o monte Sião, então o povo começou a considerar o monte Sião como sendo santo,  a casa de Deus. Salomão mais adiante construiu o santo templo no monte Moriá, próximo a Sião, e Sião passou a ser designação desse complexo. Percebemos a partir desse resumido relato,  a construção sócio-religiosa do símbolo do monte Sião. Sião era o símbolo da identidade político-religiosa de um Israelita nos tempos do antigo testamento. Em outro salmo, o salmista descreve como os Babilônicos debochavam e riam da destruição de Israel como nação atacando a figura do monte Sião:

Pois lá aqueles que nos levaram cativos nos pediam uma canção; 
e os que nos destruíram, que os alegrássemos, dizendo: 
"Cantai-nos uma das canções de Sião."
(salmo 137.3)


"Após o Exílio Babilônico, os judeus começaram a identificar-se, com mais intensidade, com a mística Sião. Na luxuriante e soberba Babilônia, eles lembravam-se desse nome e derramavam copiosas lágrimas."
(Andrade, Claudionor; Geografia bíblica; CPAD,1987; Rio de Janeiro. pág 21)

              Mas nesse salmo, através desse símbolo político e religioso, o salmista revela Deus como o grande Guardião e defensor de Israel. Como diz o versículo 3 que dentro daquela grande fortaleza O senhor é conhecido como um alto refúgio. Sendo o monte Sião o maior monte de Israel e uma fortaleza natural contra ataques inimigos, mesmo assim Deus era Bem maior e a verdadeira segurança do povo Judeu.  Esse era como descrito no salmo, o ditado popular dentro dos muros e nas torres do monte Sião.  É apartir desse ditado que outro lindo salmo é escrito:

... DEUS é o nosso refúgio e fortaleza... (salmo 46)

       Vale apena lembrar que o salmo 46 e o salmo 48 pertencem ao segundo livro dos salmos. O comentário bíblico de moody, muito conhecido, chega a chamar os salmos 46, 47 e 48 como a trilogia do louvor por tratarem de temas semelhantes. A relação desse três salmos é evidente formando um conjunto.


Salmos  explicação salmo contexto histórico estudo pregação devocional Davi livro dos salmos introdução salmos 

sábado, 17 de dezembro de 2011

SALMO 23 - UM PASTOR NESSE DESERTO

Salmos 23

1 O SENHOR é o meu pastor, nada me faltará.
2 Deitar-me faz em verdes pastos, 
   guia-me mansamente a águas tranquilas.
3 Refrigera a minha alma; 
   guia-me pelas veredas da justiça, 
   por amor do seu nome.
4 Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, 
   porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.
5 Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, 
    unges a minha cabeça com óleo, 
    o meu cálice transborda.
6 Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida; 
   e habitarei na casa do SENHOR por longos dias.


            Com certeza Você já escutou ou leu muitos comentários sobre esse salmo, pois ele é um dos textos mais  conhecidos da bíblia.  Mas não vai lhe custar nada perder um pouco de tempo para ler mais um comentário esse maravilhoso salmo.
O cenário:
              Quando lemos esse salmo muitas vezes desconhecemos o contexto geográfico do Israel dos tempos bíblicos. Em primeiro, havia poucos rios que recortavam as terras de Israel e a maioria eram perenes passando boa parte do tempo secos.  Em segundo, as chuvas caiam em tempos determinados por um curto espaço de tempo.  Assim conseguir  água não era tão fácil assim. As opções que se tinham para matar a sede das ovelhas eram as seguintes: procurar piscinas de águas formadas pelo acumulo das águas das chuvas, que serviam de cisternas naturais, ou cavar poços até encontrar lençóis subterrâneos de águas. 
            Dai havia a necessidade do pastor de ovelhas daquela época conhecer bem onde conseguir água para as ovelhas, pois não era tão fácil conseguir água. O salmista conhecia bem essa necessidade e acerca do senhor ele diz que Deus é o seu pastor! Deus é aquele que conhece todas as coisas e no deserto dessa vida só o senhor poderia matar a sede de sua alma.
           Pelo fato de água está localizada pontualmente o pastor tinha outro desafio. Muitos animais também vinham beber água, logo o pastor tinham que defender suas ovelhas da ação de animais que lutavam também pela sua sobrevivência. Não é por acaso que o salmistas escreve:
            
“Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos”

             O pastor também tinha que proteger as suas ovelhas na condução até as fontes ou cisternas de água. Acerca disso o salmista também escreve:

“Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.”

                Israel sempre viveu em tempos de iminentes guerras, o salmista sabia bem disso e comparando essa situação ao seu cotidiano ele podia confiar no senhor,  pois com seu cajado de poder e soberania Deus  o protegeria da ação inimiga.
        
                  Deus sempre protegerá de todo o mal  aqueles que o servem com sinceridade. Sirvamos ao senhor com sinceridade e ele sempre estará a nos proteger nesse deserto que chamamos cotidiano!


segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Salmo 42: A natureza do adorador.

Salmo 42: A natureza do adorador.

1        ASSIM como o cervo brama pelas correntes das águas,
          assim suspira a minha alma por ti, ó Deus!
2        A minha alma tem sede de Deus, 
         do Deus vivo; 
         quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus?
3        As minhas lágrimas servem-me de mantimento de dia e de noite, 
         enquanto me dizem constantemente: Onde está o teu Deus?
4       Quando me lembro disto, dentro de mim derramo a minha alma; 
         pois eu havia ido com a multidão. 
        Fui com eles à casa de Deus, com voz de alegria e louvor, 
        com a multidão que festejava.
5     Por que estás abatida, ó minha alma, 
      e por que te perturbas em mim? 
       Espera em Deus, pois ainda o louvarei pela salvação da sua face.
6      Ó meu Deus, dentro de mim a minha alma está abatida; 
      por isso lembro-me de ti desde a terra do Jordão, 
      e desde os hermonitas, 
      desde o pequeno monte.
7        Um abismo chama outro abismo, 
          ao ruído das tuas catadupas; 
          todas as tuas ondas e as tuas vagas têm passado sobre mim.
8       Contudo o SENHOR mandará a sua misericórdia de dia, 
         e de noite a sua canção estará comigo, 
        uma oração ao Deus da minha vida.
9     Direi a Deus, minha rocha: Por que te esqueceste de mim? 
       Por que ando lamentando por causa da opressão do inimigo?
10   Com ferida mortal em meus ossos me afrontam os meus adversários, 
       quando todo dia me dizem: Onde está o teu Deus?
11   Por que estás abatida, ó minha alma, 
       e por que te perturbas dentro de mim? 
      Espera em Deus, pois ainda o louvarei, 
      o qual é a salvação da minha face, e o meu Deus.


          Este salmo foi originalmente escrito pelos membros da família de Corá. Como a maioria das versões da bíblia para o português trazem em sua epigrafe. Muitos comentaristas salientam o fato dessa epigrafe ser muito antiga e remontar ao período da elaboração da septuaginta, entre o século I e III A.C.. A família de corá era uma das famílias levitas responsáveis pela manutenção do culto ao senhor.  Havia varias famílias de levitas que serviam no templo do senhor e se alternavam entre si, de forma rotativa, cada grupo familiar por um período de tempo. Encerrado esse período, outro grupo familiar assumia o serviço e assim por diante.  (Ler: I Crônicas 9:19 , I Cr 26.19, II Crônicas 20:19). Podemos ver o exemplo de Elcana pai de Samuel, que servia nesse modelo de ministério rotativo, e Zacarias pai de João batista. Esse salmo reflete esse processo de alternância e de mudança de turno. O poeta almeja que chegue logo a sua vez em servi a Deus no santo templo.
        


           É nesse contexto que podemos pintar numa tela o verdadeiro sentimento do salmista. O seu desejo de ir novamente com as procissões que iam a jerusalém por ocasião de alguma festa sagrada. Perceba os versículos:

2        A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; 
         quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus?
3       As minhas lágrimas servem-me de mantimento de dia e de noite, 
        enquanto me dizem constantemente: Onde está o teu Deus?
4      Quando me lembro disto, dentro de mim derramo a minha alma; 
        pois eu havia ido com a multidão. 
       Fui com eles à casa de Deus, com voz de alegria e louvor, 
        com a multidão que festejava.


         Veja a ansiedade do salmista em está na presença de Deus. É certo que ainda não estava no período em que o salmista se apresentaria e serviria ao senhor. Percebe que adorar nesse belo salmo é sinônimo servir e está na presença de Deus é trabalhar na sua obra. O primeiro aspecto da natureza do verdadeiro adorador é a ansiedade de servir a Deus, de está na sua presença. 

Adorar = serviço (trabalhar para o Senhor)


Outro versículo que chama a atenção é o primeiro.

1        ASSIM como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus!



          Assim como no português o som característico de cada animal é definido por uma palavra, Latir é a palavra característica do som emitido por um cachorro e mugir de uma vaca, No hebraico também há uma palavra para o som característico de cada animal. No caso a palavra “brama” nesse salmo no original Hebraico é a palavra que distingue o som característico de um cervo fêmea, para poder na poesia fazer uma concordância de idéia com a palavra alma. Lembre que a cidade de Jerusalém tinha um problema de escassez de água. Era comum para os peregrinos que vinham a Jerusalém por ocasião das festas sagradas contemplarem animais como os cervos em gemidos escandalosos e desesperados de sede.  Assim é que o salmista descreve o seu desespero pela presença Deus. Era algo característico de sua natureza e uma questão de sobrevivência está na presença de Deus.
     
         Está na presença de Deus também era uma questão de honra. Como o salmista descreve nos versículo 9 e 10:

9       Direi a Deus, minha rocha: Por que te esqueceste de mim? 
         Por que ando lamentando por causa da opressão do inimigo?
10     Com ferida mortal em meus ossos me afrontam os meus adversários, 
          quando todo dia me dizem: Onde está o teu Deus?

       Sendo considerados inimigos aqueles que questionavam a o estado deprimido do salmista por ainda não ter chegado a hora em que iria a Jerusalém e servir ao senhor no templo. E essa era a grande esperança do salmista: chegaria o dia, chegaria a sua vez de Servir ao senhor no templo. Era esse o grande conforto do salmista.

“Espera em Deus, pois ainda o louvarei, o qual é a salvação da minha face, e o meu Deus.”

       Esse lindo Salmo confronta o nosso conceito de louvar o senhor. Pelo nosso contexto cultural, achamos que louvar o senhor é apenas emitir cantos. Mas nesse Salmo percebemos que a expressão dos lábios na verdade deve ser a expressão do interior, O som característico daqueles que sentem em seu interior a necessidade de louvar a Deus. Também que louvar a Deus vai além, Servir a Deus também é louvá-lo.




             como a corça - Sergio Lopes

sábado, 12 de novembro de 2011

Salmos 46 – A verdadeira segurança


1       DEUS é o nosso refúgio e fortaleza, 
          socorro bem presente na angústia.

2      Portanto não temeremos, ainda que a terra se mude,
        e ainda que os montes se transportem para o meio dos mares.
3      Ainda que as águas rujam e se perturbem, 
        ainda que os montes se abalem pela sua braveza. ( Selá. )

4     Há um rio cujas correntes alegram a cidade de Deus, 
       o santuário das moradas do Altíssimo.

5    Deus está no meio dela; não se abalará. 
       Deus a ajudará, já ao romper da manhã.

6    Os gentios se embraveceram; 
      os reinos se moveram; 
       ele levantou a sua voz e a terra se derreteu.
7     O SENHOR dos Exércitos está conosco; 
       o Deus de Jacó é o nosso refúgio. ( Selá. )

8      Vinde, contemplai as obras do SENHOR; 
         que desolações tem feito na terra!
9      Ele faz cessar as guerras até ao fim da terra; 
        quebra o arco e corta a lança; 
        queima os carros no fogo.

10    Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus; 
         serei exaltado entre os gentios; 
         serei exaltado sobre a terra.
11    O SENHOR dos Exércitos está conosco; 
        o Deus de Jacó é o nosso refúgio. ( Selá. )



      
         O salmo 46 descreve uma situação de guerra onde o monte Sião, local onde estava cidade Jerusalém, é cercado e sitiado pelo exercito inimigo. Um dos grandes problemas era a escassez de água, visto que havia poucos rios no território de Israel e predominava um clima desértico. Sobre o monte Sião não havia nascentes. Nessa situação de cerco, o inimigo esperava o povo da cidade definhar  até o momento que sem forças não conseguiriam resistir a invasão e sucumbiriam.


         O monte Sião era uma fortaleza natural. Devido a sua posição geográfica privilegiada era um local que dificultava a invasão do exercito inimigo, seus paredões verticais eram obstáculos intransponíveis condicionando a progressão inimiga por caminhos já conhecidos, tornando previsível o ataque adversário.  Num período onde as batalhas se travavam homem a homem, ter a geografia ao seu lado era uma vantagem enorme.



        Mesmo assim o salmista inicia seu canto indicando que Deus é o seu verdadeiro refúgio e fortaleza. 
         DEUS é o nosso refúgio e fortaleza, 
          socorro bem presente na angústia.

         A sua segurança não estava na proteção física ou numa vantagem geográfica, mas algo que transpõe o físico e o natural, O amor de um Deus que socorre e ajuda os seus na hora em que surge uma situação que trás angustia e desespero ao coração.
          
        Ele não temeria ainda que a própria natureza que lhe oferecia uma vantagem sobre seu adversário se voltasse contra ele.  Como já dissemos a fortaleza que os protegia fisicamente poderia se tornar sua própria prisão levando a escassez de alimento e principalmente de água, enfraquecendo fisicamente. Deixando Vulnerável todo o povo.
           
               Portanto não temeremos, ainda que a terra se mude,
        e ainda que os montes se transportem para o meio dos mares.     
 Ainda que as águas rujam e se perturbem, 
        ainda que os montes se abalem pela sua braveza. ( Selá. )

            O salmista alegra-se e confessa a arma secreta do povo de Deus. Um segredo que o adversário desconhecia. Havia a nascente de um rio naquele monte que susteria o povo. Um rio perene, que não secava em determinados momentos, como era a maioria dos rios do território de Israel.  


Há um rio cujas correntes alegram a cidade de Deus, 
       o santuário das moradas do Altíssimo.

        Um rio que não era físico ou material, mas espiritual. Este rio era a alegria de saber que o Senhor Deus apesar de inatingível fazia daquele monte a sua própria morada, pois habitava com o seu povo. 
          E no momento crucial quando é chegado o dia, após um período extenso de cerco, quando a luz trazia consigo também o ataque decisivo do inimigo, com apenas o som de uma palavra: “Basta”. Toda a vantagem humana, toda a estratégia inimiga seria desfeita, revelando a verdadeira realidade: “Deus está no controle de Todas as coisas”.
        

Deus está no meio dela; não se abalará. 
 Deus a ajudará, já ao romper da manhã.

Os gentios se embraveceram; 
      os reinos se moveram; 
       ele levantou a sua voz e a terra se derreteu.

        O ser humano é convidado a contemplar o Senhor trabalhando nas situações mais adversas, como uma guerra, ele, somente ele, tem o poder de reverter toda a situação, tirando a vantagem bélica do inimigo: 
  Vinde, contemplai as obras do SENHOR; 
que desolações tem feito na terra!
       Ele faz cessar as guerras até ao fim da terra; 
        quebra o arco e corta a lança; 
        queima os carros no fogo.

          Trazendo a quietude e paz com o som de voz confortadora. Pois só nele o homem deve confiar, não numa vantagem geográfica, não numa estratégia bem elaborada de cerco ou equipamentos Bélicos. Mas o senhor é verdadeira segurança daqueles o temem. 

           Assim o grande general brada com sua voz potente, tomando parte na canção e proclamando seu poder universal.

Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus; 
         serei exaltado entre os gentios; 
         serei exaltado sobre a terra.
     O SENHOR dos Exércitos está conosco; 
        o Deus de Jacó é o nosso refúgio. ( Selá. )


Veja um vídeo da reportagem do jornal hoje, rede globo, do dia 15/03/2012  sobre túnel que existia nos dias do rei ezequias que ilustra muito bem o salmo comentado.

mil, dez mil - Templo Soul


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