terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

A QUADRILOGIA DA ENFERMIDADE. Salmos 38, 39, 40 e 41.


A QUADRILOGIA DA ENFERMIDADE
Davi é acometido por uma grave doença, é curado e tira uma lição dessa horrenda situação.
(Salmos 38, 39, 40 e 41)


São os últimos quatros salmos do segundo rolo, Os salmos de número 38, 39, 40 e 41. O salmo 40 é o mais conhecido entre eles. É comum na atualidade vermos o salmo 40 sendo abordado de forma isolada dos dois salmos que o precedem, porém ele parte integrante de um todo. É a canção de agradecimento pela restauração da saúde. Pois os salmos 38 e 39 descrevem o sofrimento de Davi em meio a um problema sério de saúde, possivelmente já no fim de seu reinado, pois ele já estava com uma idade avançada. Os salmos 38 e 39 tratam de temas parecidos. São salmos irmãos.  Alguns versos são bem parecidos. Porém, No salmo 38, Davi reflete sobre seus pecados e seus erros. Já no salmo 39, ele reflete sobre a frágil vida humana. No salmo 41, ele Vê como foi abandonado em sua enfermidade e passa a dar maior atenção aqueles que estão enfermos, devido a sua experiência pessoal quando estava doente. O quadro abaixo resume essa quadrilogia.

SALMO
TEMA
38
Uma grava enfermidade.
39
A vida uma humana é passageira.
40
Ação de graças pela cura.
41
Uma lição depois do sofrimento.

O propósito desse texto é mostrar e discutir a unidade desses quatro salmos. Alguns pesam que esses salmos foram colocados ali de forma aleatória sem nenhuma intenção inicial. Porém percebemos a partir de uma leitura simples que existe sim uma relação, por mínima que seja entre esses 4 salmos. Como já comentamos eles tratam praticamente de um tema comum: a doença na perspectiva do doente. Sugerimos a todos que tiverem contato com esse comentário a leitura desses 4 salmos de uma vez só. Assim poderão perceber uma certa unidade entre esses salmos.  


Salmo 38


O Peso da mão do senhor e uma reflexão sobre os erros.

1 SENHOR, não me repreendas em tua ira,
   Nem me corrijas com cólera!
2 Porquanto as tuas flechas cravaram-se em mim,
   E a tua mão se abateu sobre mim.

3 Por causa da tua ira, não há parte ilesa em meu corpo;
   Não há saúde nos meus ossos, em consequência do meu pecado.
4 As minhas culpas me afogam;
   Como fardo pesado,
   Tornaram-se insuportáveis para mim.


A descrição da doença no corpo físico.

5 Minhas feridas cheiram mal e supuram,
   Devido à minha insensatez.
6 Ando encurvado e todo abatido;
   O dia inteiro perambulo e pranteio.
7 Estou sendo consumido pela febre;
   E sinto todo o meu corpo enfermo.


A descrição psicológica da doença que desce até alma.

8 Estou esgotado e, ao extremo, alquebrado;
   Minha alma geme de angústia.
9 SENHOR, diante de ti estão todos os meus anseios;
   Nem mesmo o meu suspiro te é oculto.
10 Meu coração palpita e as forças se afastam do meu corpo;
      Até a luz dos meus olhos me   abandonou.


A descrição sócio emocional da doença que desfaz os relacionamentos pessoais.

11 Meus companheiros e amigos me evitam por causa da doença que me aflige;
      E os meus vizinhos se mantêm à distância.
12 Armam laços os que desejam atentar contra minha vida,
      Os que me querem mal proclamam a minha ruína;
      Dedicam o dia todo a planejar calúnias.
13 Eu, todavia, como um surdo, não ouço;
      Como mudo, não abro a boca.
14 Fiz-me como um homem que não percebe o que ocorre à sua volta
     E sua língua não sabe replicar.


Uma oração de socorro e a confissão pelos erros.

15 Em ti, SENHOR, espero:
    Tu me responderás, ó SENHOR meu Deus!
16 Pois eu declarei: “Ouve-me, ó SENHOR,
     Para que tais pessoas não se divirtam por causa do meu sofrimento,
     Tampouco triunfem sobre mim, quando meu pé escorregar!”
17 Porquanto, estou a ponto de tropeçar,
     E a minha dor me acompanha sempre.

18 Sim, confesso a minha culpa,
     Estou aflito em razão do meu pecado.

19 Sem motivo algum acumulei numerosos inimigos,
     E muitos injustamente me odeiam.
20 Os que me pagam o bem com o mal caluniam-me,
      Porquanto sigo o que é bom!

21 SENHOR, não me abandones!
      Meu Deus, não fiques tão distante!
22 Vem depressa em meu socorro,
      Ó SENHOR, meu Salvador!
(salmo 38.1-22, Bíblia King James Atualizada)



Um dos grandes problemas para entendermos esse salmo é o da interpretação alegórica que ele tem recebido. As versões em português colaboram muito para essa interpretação alegórica quando trazem em suas epigrafes os temas “oração do pecador arrependido” ou algo semelhante, trazendo a ideia de que a enfermidade de Davi não era literal, mas era o seu pecado. Muitos expositores levados por essa tendência alegórica ainda reproduzem a ideia de que a enfermidade nesse salmo é “um símbolo do pecado”. Afirmam eles que esse salmo é a descrição simbólica do conflito interior e angustiante da natureza humana devido ao mal causado pelo pecado original ou pelo pecado pessoal. Porém, apesar da linguagem metafórica presente no salmo, percebemos que a enfermidade descrita por Davi é literal, ou seja, Davi realmente estava passando por algum problema sério de saúde.
É claro que o tema pecado é abordado aqui. Davi reflete sobre seus erros e confessa-os. Mas essa não era a sua enfermidade a sua enfermidade era real e serviu como um meio dele reconhecer suas falhas diante de um Deus Santo e justo.

Por causa da tua ira, não há parte ilesa em meu corpo; não há saúde nos meus ossos, em consequência do meu pecado.     Salmo 38.3 BKJA


Salmo 39



Eu disse:
Vigiarei a minha conduta
e não pecarei em palavras;
porei mordaça em minha boca
enquanto os ímpios estiverem na minha presença.

Enquanto me calei resignado,
e me contive inutilmente,
minha angústia aumentou.

Meu coração ardia-me no peito e,
enquanto eu meditava,
o fogo aumentava;

então comecei a dizer:

Mostra-me, Senhor, o fim da minha vida
e o número dos meus dias,
para que eu saiba quão frágil sou.

Deste aos meus dias o comprimento de um palmo;
a duração da minha vida é nada diante de ti.
De fato, o homem não passa de um sopro. Pausa

Sim, cada um vai e volta como a sombra.
Em vão se agita,
amontoando riqueza sem saber quem ficará com ela.

Mas agora, Senhor,
que hei de esperar?
Minha esperança está em ti.

Livra-me de todas as minhas transgressões;
não faças de mim um motivo de zombaria dos tolos.

Estou calado!
Não posso abrir a boca,
pois tu mesmo fizeste isso.

Afasta de mim o teu açoite;
fui vencido pelo golpe da tua mão.
Tu repreendes e disciplinas o homem
por causa do seu pecado;

como traça destróis o que ele mais valoriza;
de fato, o homem não passa de um sopro. Pausa

Ouve a minha oração, Senhor;
escuta o meu grito de socorro;
não sejas indiferente ao meu lamento.

Pois sou para ti um estrangeiro,
como foram todos os meus antepassados.
Desvia de mim os teus olhos,
para que eu volte a ter alegria,
antes que eu me vá e deixe de existir.
Salmos 39:1-13, Almeida corrigida



Já abordamos esse salmo nesse blog. Davi faz uma reflexão sobre a brevidade da vida humana. Frágil e passageiro assim é o ser humano. Como podemos ver no verso 6 desse poema.

Como uma sombra fugaz passa o ser humano pela vida, e fútil é sua luta fatigante; acumula riquezas, todavia não sabe quem, de fato, delas usufruirá.
Salmo 39. 6, BJKA

Para relembrar o nosso comentário sobre o salmo 39 click no link


Salmo 40


Esperei com paciência no SENHOR,
E ele se inclinou para mim,
E ouviu o meu clamor.
Tirou-me dum lago horrível,
Dum charco de lodo,
Pôs os meus pés sobre uma rocha,
Firmou os meus passos.

E pôs um novo cântico na minha boca,
Um hino ao nosso Deus;
Muitos o verão,
E temerão,
E confiarão no Senhor.

Bem-aventurado o homem que põe no Senhor a sua confiança,
E que não respeita os soberbos
Nem os que se desviam para a mentira.

Muitas são, Senhor meu Deus, as maravilhas que tens operado para conosco,
E os teus pensamentos não se podem contar diante de ti;
Se eu os quisera anunciar,
E deles falar,
São mais do que se podem contar.

Sacrifício e oferta não quiseste;
Os meus ouvidos abriste;
Holocausto e expiação pelo pecado não reclamaste.
Então disse: Eis aqui venho;
No rolo do livro de mim está escrito.
Deleito-me em fazer a tua vontade, ó Deus meu;
Sim, a tua lei está dentro do meu coração.

Preguei a justiça na grande congregação;
Eis que não retive os meus lábios,
Senhor, tu o sabes.
Não escondi a tua justiça dentro do meu coração;
Apregoei a tua fidelidade e a tua salvação.
Não escondi da grande congregação a tua benignidade e a tua verdade.

Não retires de mim, Senhor, as tuas misericórdias;
Guardem-me continuamente a tua benignidade e a tua verdade.
Porque males sem número me têm rodeado;
As minhas iniquidades me prenderam de modo que não posso olhar para cima.
São mais numerosas do que os cabelos da minha cabeça;
Assim desfalece o meu coração.

Digna-te, Senhor, livrar-me:
Senhor, apressa-te em meu auxílio.
Sejam à uma confundidos e envergonhados os que buscam a minha vida para destruí-la; tornem atrás e confundam-se os que me querem mal.
Desolados sejam em pago da sua afronta os que me dizem: Ah! Ah!

Folguem e alegrem-se em ti os que te buscam;
Digam constantemente os que amam a tua salvação: Magnificado seja o Senhor.
Mas eu sou pobre e necessitado;
Contudo o Senhor cuida de mim.
Tu és o meu auxílio e o meu libertador;
Não te detenhas, ó meu Deus.

Salmos 40:1-17



Esse salmo é uma celebração pela restauração da saúde. Davi rende graças ao Senhor devido ao grande milagre de Cura realizado por Jeová. Davi Escreve Jubiloso:

Tirou-me do fosso fatal, do charco lamacento, assentou meus pés sobre uma rocha e orientou meus passos. Em minha boca colocou uma nova canção, um cântico de louvor ao meu Deus. Que muitos possam compreender o que me aconteceu e venham a adquirir confiança e temor no SENHOR.                                 Salmo 40.1,2 BJKA


O “fosso fatal” ou “poço da morte” era o leito em que ele estava. Imobilizado sem poder nem se quer ficar em pé, “como dentro de uma poço lamacento” ou um “charco lamacento”. Davi, agora restaurando, sente segurança nas suas pernas e poderia andar de forma firme, “pós os meus pés sobre uma rocha”.

Muito provavelmente o salmo 40 seja a junção de dois salmos distintos. Perceba a brusca mudança de ideia a partir do verso 10. O que vem sendo um canto de ação de graças até o versículo 9, torna-se uma oração clamor no versículo 10. Perceba a semelhança dos versículos 13 em diante com o salmo de número 70.  Provavelmente o salmo 70 foi acrescido ao salmo 40 para aproxima-lo do salmo 41, afim de manter-se uma certa unidade entre o quarteto de salmos que estamos tratando.  Vê-se claramente ai a intenção humana em dar certa coerência ao livro dos salmos. Há também a hipótese que tal enxerto serve para lembrar o homem de sua condição pecaminosa arremetendo ao sistema de sacrifícios, para perdão de pecados, estabelecido na lei Mosaica, visto que os versículos 6,7 e 8 fazem uma ruptura séria com o sistema sacrificial mosaico. O texto diz claramente:

Sacrifício e oferta não quiseste;
Os meus ouvidos abriste;
Holocausto e expiação pelo pecado não reclamaste.
Então disse: Eis aqui venho;
No rolo do livro de mim está escrito.
Deleito-me em fazer a tua vontade, ó Deus meu;
Sim, a tua lei está dentro do meu coração.

Assim o salmo 70 serve para reforça a condição pecadora do homem. Levando-o a buscar no sistema de sacrifício mosaico o perdão para seus pecados. 


 Salmo 41


1 Bem-aventurado aquele que dá atenção ao desvalido!
   No dia do seu infortúnio, o SENHOR o livrará.
2 O SENHOR o protegerá e preservará sua vida;
   Ele o fará feliz na terra,
   E não o entregará à sanha dos seus inimigos.
3 Na enfermidade, o SENHOR lhe dará pleno amparo,
   E da doença o restaurará.

4 Eu roguei: Concede-me a tua graça, ó Eterno,
   E cura minha alma,
   Mesmo tendo eu pecado contra ti.


5 Meus inimigos só me desejam o mal
   E murmuram: “Quando ele morrerá?
   E quando seu nome desaparecerá da face da terra?”
6 Sempre que alguém vem visitar-me com falsidade,
    Enche o coração de mentiras,
    E depois as semeia por onde passa.
7 Todos os que me odeiam se juntam para resmungar contra mim,
    Conjeturando sobre o mal que poderá me ocorrer:
8 “Ah, ele está com aquela doença maligna!
     Está acamado, e jamais se levantará”.
9 Até o meu melhor amigo,
   Em quem eu confiava,
   E que partilhava do meu pão, também me traiu!


10 Ainda assim, tu, ó SENHOR, tem misericórdia de mim;
     Levanta-me, para que eu lhes dê a resposta merecida.
11 Sei que me queres bem,
      Porquanto o meu inimigo não cantará vitória sobre mim.
12 São e salvo me sustentarás
      E em tua presença me manterás eternamente!
13 Louvado seja o Eterno,
     Deus de Israel, para todo o sempre!
     Assim seja!

Salmo 41. 1;13, BKJA


O salmo 41 é uma lição tirada durante o período da enfermidade. Davi declara “a bem aventurança” daquele que socorre o abandonado no dia da adversidade. Vemos nos salmos 38 e 39 Davi lamentando o abandono de muitos, havia até aqueles que torciam pela morte dele. Esse problema levou Davi a se colocar no lugar de todos aqueles que passam por uma situação semelhante a que ele havia passado.

Um indivíduo que acabou de recuperar a saúde, após uma séria enfermidade, expressa aqui sua ação de graças. Não é uma ação de graças simples pois está influenciada pela escola da Sabedoria nos versículos introdutórios e reverte em uma lamentação ao descrever sua situação desesperadora. Contudo, o perigo agora já é passado e a recuperação está assegurada.  1-3. Meditação sobre a Libertação Divina. Bem-aventurado o que acode ao necessitado. Esta beatitude corresponde ao "bem-aventurados os misericordiosos" do Sermão da Montanha. Tal homem é libertado, preservado, abençoado e fortalecido por Deus. O salmista se reconhece como ilustração do caso que apresenta.

(MOODY, comentário bíblico, pág. 51. Editora Batista Regula, 2010.)

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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

SALMO 64. A CONSPIRAÇÃO DOS ÍMPIOS: “UM PLANO QUASE PERFEITO!”

SALMO 64. A CONSPIRAÇÃO DOS ÍMPIOS: “UM PLANO QUASE PERFEITO!”



Ouve, ó Eterno, minha voz, quando expresso meu lamento;

Protege a minha vida do inimigo ameaçador.
Defende-me da conspiração dos ímpios
E da ruidosa multidão dos perversos.

Eles afiam suas línguas como espadas,
E como flechas disparam suas palavras cheias de veneno.
E de suas trincheiras ocultas atiram contra o homem íntegro;
Atacam, de emboscada, sem o menor receio da justiça.

Estão absolutamente dominados pela maldade,
Conspiram para tramar ciladas
E argumentam entre si: “Quem nos descobrirá?”
Tramam a injustiça e declaram: “Fizemos um plano perfeito!”
A mente e o coração deles buscam legitimar os crimes cometidos.

Entretanto, é Deus quem dispara contra eles uma flecha
E, de pronto, os fere de morte.
Sua própria língua lhes provocará o fracasso repentino;
Todos que assistirem a esse triste fim menearão a cabeça e zombarão deles.
Então, todos os seres humanos temerão
E proclamarão as obras de Deus, meditando sobre esses grandes feitos de Deus.
Que se alegre o justo, no Eterno;
E nele busque refúgio;
 Congratulem-se todos os retos de coração!

(Salmo 64:1-10, bíblia king James atualizada)


O salmista nessa canção sob forma de oração (ou oração sob forma de canção) procura descrever os pensamentos e ações dos homens maus sem temor de Deus que procuram legitimar suas práticas maldosas.Como se não bastasse ainda fazem uma oposição ferrenha aqueles que procuram viver a vida de maneira santa.
Esse salmo provavelmente descreve uma oposição sofrida por Davi no período de seu reinado. Uma conspiração interna afim de tomar seu trono. Talvez a conspiração descrita tenha a sido a de Absalão. Como bem conhecemos Absalão Tentou usurpar o trono de seu próprio pai.


Davi, o justo vulnerável


Davi se põe no lugar daqueles que são ameaçados pela linguagem agressiva dos que não temem a Deus. Ele se ver em uma situação de guerra cercado por todos os lados por um exército cujo o único objetivo e denegrir sua imagem.


Ouve, ó Eterno, minha voz, quando expresso meu lamento;

Protege a minha vida do inimigo ameaçador.
Defende-me da conspiração dos ímpios
E da ruidosa multidão dos perversos.
(salmo 64.1,2)

A vida é exatamente assim, pensei. Quando você está caído, outros pulam sobre você. Por que? Porque você está vulnerável – uma palavra latina cuja raiz, vuner, significar “ferir”. Uma pessoa (ou ave) ferida é mais suscetível a outros perigos por causa de sua situação presente de fraqueza.
(UM SALMO EM SEU CORAÇÃO, Wood O. George, CPAD, Rio de Janeiro, 2006, 1º Edição, pág 261)


Uma conspiração maligna



Davi denuncia em sua oração a conspiração formada por um grupo muito grande de pessoas perversas, que tinham por objetivo o destruir e tomar a sua coroa. A sua única esperança era pedir o auxílio do Senhor.

Defende-me da conspiração dos ímpios
E da ruidosa multidão dos perversos.
(salmo 64.2)

Os ímpios usam de um expediente bastante peculiar para atacar o rei. Seus instrumentos São:

1- Fofoca e linguagem agressiva para desfazer a imagem e a integridade do Justo.

Eles afiam suas línguas como espadas,
E como flechas disparam suas palavras cheias de veneno.
(salmo 64.3)

2 – O anonimato. Eles proferem palavras maliciosas, mas não mostram o rosto se escondendo nas sombras.

E de suas trincheiras ocultas atiram contra o homem íntegro;
Atacam, de emboscada, sem o menor receio da justiça.
(salmo 64.4)

Absalão usou desses dois expedientes a cima para tentar convencer o povo que ele seria um rei superior a seu pai. Isto tudo nas costas de seu próprio pai.

...e parava a um lado do caminho da porta. E sucedia que a todo o homem que tinha alguma demanda para vir ao rei a juízo, o chamava Absalão a si, e lhe dizia: De que cidade és tu? E, dizendo ele: De uma das tribos de Israel é teu servo; Então Absalão lhe dizia: Olha, os teus negócios são bons e retos, porém não tens quem te ouça da parte do rei.
2 Samuel 15:2-3

Os ímpios tem uma natureza perversa. A maldade dominou totalmente em seu coração. E se gloriam da impunidade. Debocham da frágil e débil justiça entre si.


Estão absolutamente dominados pela maldade,
Conspiram para tramar ciladas
E argumentam entre si: “Quem nos descobrirá?”
(salmo 64.5)


Como se não bastasse, estão tão seguros na sua impiedade que declaram a perfeição de seu plano. Cujo o objetivo era destronar o rei Davi. Além do que buscam a legitimidade de sua prática.

Tramam a injustiça e declaram: “Fizemos um plano perfeito!”
A mente e o coração deles buscam legitimar os crimes cometidos.
(salmo 64.6)


Quem sabe não argumentaram eles: “o rei está velho demais” ou “ele não tem condições morais para o oficio”, visto o erros cometidos pelo rei.


Os conspiradores sempre pensam que sairão impunes. “Quem nos verá?” temos o plano perfeito. Os perpetradores do mal parecem muito presunçosos e confiantes. Eles pensam em cada detalhe, consideram todas as opções e transbordam de confiança.
(UM SALMO EM SEU CORAÇÃO, Wood O. George, CPAD, Rio de Janeiro, 2006, 1º Edição, pág 261)



O contra-ataque divino.


Mas os ímpios esqueceram que existe um Deus no céu. E é nesse deus que Davi confia. E ele não permitirá que os ímpios prevaleçam sobre os justos.


Entretanto, é Deus quem dispara contra eles uma flecha
E, de pronto, os fere de morte.
(salmo 64.7)



Com um golpe só, os planos malignos são desfeitos. Os ímpios tropeçaram em suas próprias palavras e seus planos se voltaram contra eles mesmos. E todos verão ridiculizarão o plano frustrado dos malignos.  


Sua própria língua lhes provocará o fracasso repentino;
Todos que assistirem a esse triste fim menearão a cabeça e zombarão deles.
(salmo 64.8)


E o que eram um plano sombrio que visava destruir todos os justos é transformando em um plano a favor dos Justos. E Deus é glorificado em toda terra pelo grande feito que realizou, mudando a situação desfavorável a favor de seus servos.


Então, todos os seres humanos temerão
E proclamarão as obras de Deus, meditando sobre esses grandes feitos de Deus.
Que se alegre o justo, no Eterno;
E nele busque refúgio;
 Congratulem-se todos os retos de coração!
(salmo 64.9,10)



Salmos  explicação salmo contexto histórico estudo pregação devocional Davi livro dos salmos introdução salmos 


sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Salmo 88: Hemã, o Poeta enterrado vivo!


Salmo 88: Hemã, o Poeta enterrado vivo!

  
ÓH Senhor, Deus da minha salvação, dia e noite clamo diante de ti.
Chegue à tua presença a minha oração,
Inclina os teus ouvidos ao meu clamor;

Porque a minha alma está cheia de angústias,
E a minha vida se aproxima do Seol.

Já estou contado com os que descem à cova;
Estou como homem sem forças,
Atirado entre os finados;
Como os mortos que jazem na sepultura,
Dos quais já não te lembras,
E que são desamparados da tua mão.

Puseste-me na cova mais profunda,
Em lugares escuros,
Nas profundezas.

Sobre mim pesa a tua cólera;
Tu me esmagaste com todas as tuas ondas.
Apartaste de mim os meus conhecidos,
Fizeste-me abominável para eles;

Estou encerrado e não posso sair.
Os meus olhos desfalecem por causa da aflição.

Clamo a ti todo dia, Senhor,
Estendendo-te as minhas mãos.

Mostrarás tu maravilhas aos mortos?
Ou levantam-se os mortos para te louvar?
Será anunciada a tua benignidade na sepultura,
Ou a tua fidelidade no Abadom?
Serão conhecidas nas trevas as tuas maravilhas,
E a tua justiça na terra do esquecimento?

Eu, porém, Senhor, clamo a ti;
De madrugada a minha oração chega à tua presença.

Senhor, por que me rejeitas?
Por que escondes de mim a tua face?
Estou aflito, e prestes a morrer.

Desde a minha mocidade; sofro os teus terrores,
 Estou desamparado.
Sobre mim tem passado a tua ardente indignação;
Os teus terrores deram cabo de mim.
Como águas me rodeiam todo o dia;
Cercam-me todos juntos.

Aparte de mim amigos e companheiros;
Os meus conhecidos se acham nas trevas.

Salmos 88:1-18


Você já esteve em um lugar extremamente apertado, sufocante, sem iluminação e sem ninguém que pudesse te ouvir ou te socorrer. Essa é a situação descrita por um poeta. Estamos falando de Hemã escritor do salmo 88.
O salmo 88 é um dos trechos mais sombrios da bíblia. Descreve uma angustia intensa que parece não ter fim. O quadro pintado é de alguém preso dentro de uma cova sem poder sair.  Paz e alegria nesse salmo são artigos de luxo. Esse salmo começa e termina em angustia intensa.



Ele começa com uma oração inicial bastante confortável para aquele que simplesmente lê e quer se manter apenas no primeiro e segundo versículo.

ÓH Senhor, Deus da minha salvação, dia e noite clamo diante de ti.
Chegue à tua presença a minha oração,
Inclina os teus ouvidos ao meu clamor;
Salmos 88:1-2

A escuridão da cova rodeia você, e a única esperança clara no salmo no salmo inteiro situa-se em seus dois versículos iniciais – você ainda está falando com Deus. Não é encontrado dentro desse salmo nenhuma solução para o dilema da cova. A oração inteira é uma conversa de um só caminho – Deus não diz nada. Mas o fato que você ora em absoluto ao “Deus que salva (você)” atesta a sua convicção e esperança que ele está ouvindo.

(UM SALMO EM SEU CORAÇÃO, Wood O. George, CPAD, Rio de Janeiro, 2006, 1º Edição, pág 357)

Se você não está preparado, não aconselhamos você passar para os versículos seguintes. Se você não tem estômago, não está preparado emocionalmente ou não tem fé suficiente para ler os versículos seguintes, aconselhamos você a ler outro salmo mais alegre, como o salmo 133, ou um salmo que passa confiança como o salmo 120, ou um salmo que exponha a ética divina como o salmo 1.
Mas se você quer entrar em um ciclo de angustia sem fim e contemplar a aflição de um homem que se sente dentro de uma cova, continue lendo esse salmo, porém nós o advertimos antes. E se você terminar a leitura desse comentário com mais dúvidas do que quando começou, o problema é seu, pois você foi advertido.


NÃO LEIA DAQUI PARA FRENTE SE NÃO ESTIVER PREPARADO!



O poeta começa a descrever a partir do versículo 3 sua angustia. Ele estava com os dias da vida contando. Provavelmente ele tenha sido diagnosticado com uma doença incurável ainda quando jovem.

Porque a minha alma está cheia de angústias,
E a minha vida se aproxima do Seol.
Já estou contado com os que descem à cova;
Estou como homem sem forças,
Atirado entre os finados;
Como os mortos que jazem na sepultura,
Dos quais já não te lembras,
E que são desamparados da tua mão.
Salmos 88:3-5

Os sintomas de sua doença incurável aparentemente só aumentavam. A cada dia a dor insuportável só crescia. E o obvio só se aproximava: “A MORTE!”. Provavelmente a doença que Hemã se referia era a lepra. Pois um leproso era tido como um amaldiçoado de Deus e era socialmente excluído, isso explica por que ele se vê desamparado de seus familiares e amigos. Em sua oração ele dialoga com Deus e diz ao Senhor:

Puseste-me na cova mais profunda,
Em lugares escuros,
Nas profundezas.

Sobre mim pesa a tua cólera;
Tu me esmagaste com todas as tuas ondas.
Apartaste de mim os meus conhecidos,
Fizeste-me abominável para eles;
Salmos 88:6-8

Ele começa a descrever uma situação poética na qual Deus o lançou em uma cova profunda, muito escura, (No abadom, ou Abismo) que lembra muito o Seol, ou inferno. Ele se sente enterrado vivo. Ele se sente sem poder respirar com se tivesse também sido lançado nas profundezas do mar.



A Lepra era na antiguidade uma doença segregadora. Separava familiares e amigos íntimos. Um abonável e amaldiçoado era assim que ele se refere a si mesmo. E como não bastasse, sentia-se abandonado por Deus.

Os meus olhos desfalecem por causa da aflição.
Clamo a ti todo dia, Senhor,
Estendendo-te as minhas mãos.
Salmos 88:9

Sua oração começa a soar em tom de chantagem emocional. E como se ele quisesse convencer Deus que era importante no culto do tabernáculo. Sua morte era prematura e ilógica.  

Ou levantam-se os mortos para te louvar?
Será anunciada a tua benignidade na sepultura,
Ou a tua fidelidade no Abadom?
Serão conhecidas nas trevas as tuas maravilhas,
E a tua justiça na terra do esquecimento?
Salmos 88:10-13

É como se ele tentasse convencer Deus de que valia mais vivo do que morto. No contexto podemos perceber que essa era uma indagação interior do poeta. Passado esse desabafo ele volta a oração inicial:

Eu, porém, Senhor, clamo a ti;
De madrugada a minha oração chega à tua presença.
Salmos 88:13

Não demora muito é a angústia volta rapidamente. Parece que a sua angustia não o deixa nem por um segundo. Ele se expressa:

Senhor, por que me rejeitas?
Por que escondes de mim a tua face?
Estou aflito, e prestes a morrer desde a minha mocidade;
Sofro os teus terrores, estou desamparado.
Salmos 88:14-15

As indagações voltam com mais força. Quando parece que o salmo iria tomar um tom de fé e esperança, a angustia retorna e o salmista repete as mesma palavras iniciais expressando sua solidão:

Sobre mim tem passado a tua ardente indignação;
Os teus terrores deram cabo de mim.
Como águas me rodeiam todo o dia;
Cercam-me todos juntos.
Aparte de mim amigos e companheiros;
Os meus conhecidos se acham nas trevas.
Salmos 88:16-18

E tudo começa novamente. Assim termina esse salmo. É amigo eu lhe advertir. Sem esperança nenhuma, sem louvor termina esse salmo. Só perguntas sem respostas, Solidão, desabafo e desespero. O que você estava esperando? Uma virada de mesa? Ou como um super homem o salmista iria terminar louvando ao senhor, ou mesmo expressando sua confiança. Olhe os fatos leia o salmo, ele não termina assim. A verdade doe companheiro, ele termina com solidão e dor. Eu te disse, você não é inocente. As angustia da vida são reais, não dá pra fugir delas apenas fingindo que elas não existem, pois elas estão bem ai ao seu e ao meu lado. Esse salmo não foi escrito por um super-homem para outro super-herói. Foi escrito por um leproso sem esperança, em estado terminal que só aguardava a morte chegar. Este é um salmo onde a natureza humana é mostrada nua e crua. E como Deus permitiu tudo isso? E por que ele deixou que este salmo estivesse na bíblia? Parceiro o SENHOR nos ajuda, Mas devemos ter em mente que os nossos planos não são os planos dele.


Todos nós gostamos de finais de bom gosto. Mas algumas orações não terminam agradavelmente. Esta aqui encerra uma nota de total e completo desespero.

(UM SALMO EM SEU CORAÇÃO, Wood O. George, CPAD, Rio de Janeiro, 2006, 1º Edição, pág 359)


Ele sabe o que é melhor para nós. Lembre-se que ele permitiu que seu filho passasse por todo aquele sofrimento por nós. Quantos cristãos não foram devorados vivos por leões por não negar a fé, quantos profetas não foram torturados e mortos. Parceiro devemos aceitar a vontade de Deus pois ela é boa e agradável. Embora muitas vezes ela nos traga sofrimento sem fim como no caso do pobre Hemã.  

...Outros experimentaram escárnios e açoites, e ainda cadeias e prisões. Foram apedrejados e tentados; foram serrados ao meio; morreram ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, necessitados, aflitos e maltratados {dos quais o mundo não era digno}, errantes pelos desertos e montes, e pelas covas e cavernas da terra. E todos estes, embora tendo recebido bom testemunho pela fé, contudo não alcançaram a promessa;

Hebreus 11:36-39

Se você estiver na cova, não esqueça de que ela não é o local permanente de Deus para você. O problema com a cova jaz em seu sentimento de que este é o fim. Somente mais tarde você olhará para trás e dirá: “Ele não desprezou nem abominou a aflição do aflito...antes, quando ele clamou, o ouviu” (Sl 122.24)
(UM SALMO EM SEU CORAÇÃO, Wood O. George, CPAD, Rio de Janeiro, 2006, 1º Edição, pág 360)




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